Os filhos da culpa na real novela dos finais tristes



Vítimas ou Protagonistas. Quem é quem depende da situação e do contexto, porém existe um traço que é ligado a personalidade do indivíduo. De um lado aquele que no primeiro relance assume suas decisões e é isso aí, e de outro o que transfere imediatamente a responsabilidade de seus atos sem nem pensar sobre o assunto. Viver culpando o próximo é o esporte preferido daqueles que praticam o exercício da "vitimização". Vivia tentando decifrar aquela parte de Por quem os sinos dobram de Raul que diz: "é sempre mais fácil achar que a culpa é do outro, evita o aperto de mão de um possível aliado". Não entendia direito porque seria assim tão difícil suportar a figura do aliado, mas o que vinha na sequência era esclarecedor também: "convence as paredes do quarto e dorme tranquilo sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo". E mais uma vez lá estava ela, a figura inspiradora da vítima. Dizem que exitem apenas 3 versões do mesmo fato: a minha, a sua e a real. O ponto é, se todos são os mocinhos de seus pontos de vista, quem são os bandidos? Maniqueísmos a parte, entendo que somos os dois simultaneamente. A diferença está em quem assume isso ou não, quem prende quem e quem solta quem em sua sentença. São muitos os donos da verdade, mas ninguém assume ser o dono da mentira. O grande mentiroso não se responsabiliza, ele segue acreditando na mentira e vai ver no que da. Teve uma vez na faculdade que tive que apresentar um trabalho sem ter lido o material. Menti dizendo que estudei e fui até a frente da classe pra dissertar sobre um texto. Saí convencendo todos ali da minha teoria furada e o professor ficou abismado como ninguém percebeu o equívoco e acabou me dando uma nota boa pelo teatro que realizei. E assim aprendi sobre a "cultura do resultado", se der certo, ninguém quer saber o que usou pra chegar até ali. E foi lá que atuei na real novela dos finais tristes.


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